Pergunta do dia: Ferrovia Norte–Sul é prioridade nacional ou sonho caro demais para Moçambique?

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A proposta de construção de uma Ferrovia Norte–Sul voltou a ganhar força no debate público em Moçambique. O Governo defende que o megaprojeto pode transformar a economia, reduzir custos de transporte e integrar o país de norte a sul. No papel, a ideia parece promissora. Mas será que é mesmo uma prioridade neste momento?

Uma linha férrea que atravesse o país poderia facilitar o escoamento de produtos agrícolas, minerais e industriais, dinamizar o comércio interno e ligar regiões historicamente isoladas. O transporte ferroviário é mais barato e eficiente do que o rodoviário, além de ser mais seguro e resistente em períodos de cheias e ciclones, problemas frequentes no território nacional.

Por outro lado, o custo da obra levanta preocupações. Um projeto desta dimensão pode custar bilhões de dólares, num país que ainda enfrenta elevados níveis de pobreza, desemprego, falta de hospitais, escolas, estradas transitáveis e serviços básicos. 

Muitos questionam se investir numa ferrovia agora não significaria adiar necessidades mais urgentes da população.

Especialistas também alertam para o risco de baixa rentabilidade. Sem produção suficiente e sem um tecido empresarial forte para gerar carga constante, a ferrovia pode tornar-se um “elefante branco”, gerando dívidas em vez de desenvolvimento.

Há ainda o desafio da transparência. 

Megaprojetos exigem gestão rigorosa para evitar desperdícios, corrupção e sobrecustos — problemas que, infelizmente, já marcaram grandes investimentos no passado.

Diante disso, a pergunta mantém-se:
👉 Devemos priorizar uma Ferrovia Norte–Sul como motor de desenvolvimento ou concentrar recursos em setores sociais básicos primeiro?

Mais do que uma decisão política, esta é uma escolha que deve envolver toda a sociedade. O futuro do país depende de investimentos inteligentes, sustentáveis e que realmente melhorem a vida dos moçambicanos.

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