Tragédia anunciada: Incomáti transborda e deixa Macaneta debaixo de água

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A região da Macaneta voltou a ficar submersa após a subida repentina do caudal do rio Incomáti, situação associada à gestão de barragens localizadas a montante, na África do Sul. O aumento do volume de água acabou por atingir comunidades do sul de Moçambique, reacendendo o debate sobre prevenção e planeamento face a desastres recorrentes.

Especialistas defendem que o problema não pode ser explicado apenas pelas chuvas intensas. Para o ambientalista Carlos Serra, trata-se de uma questão estrutural e previsível, relacionada tanto com decisões de gestão hídrica fora do país como com fragilidades internas acumuladas ao longo dos anos.

Segundo Serra, sempre que há descargas de água nas barragens sul-africanas, as zonas baixas de Maputo e arredores tornam-se o destino natural do excesso de caudal, deixando populações vulneráveis expostas a inundações frequentes.

O ambientalista alerta ainda para a necessidade de o Estado investir em estudos permanentes de risco, incluindo cenários extremos como o eventual rompimento de barragens, de modo a melhorar a capacidade de resposta e reduzir danos humanos e materiais.

Além dos fatores externos, problemas locais agravam o impacto das cheias, como o assoreamento do rio Incomáti, a degradação de mangais e dunas e a ocupação desordenada de áreas propensas a inundações. Sem estas barreiras naturais, qualquer aumento do nível das águas torna-se uma ameaça imediata.

Para os especialistas, a solução passa por planeamento urbano, medidas de adaptação climática e estratégias de convivência com o ciclo natural das águas, transformando a gestão do risco em prioridade e não apenas reagindo em momentos de crise.

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