A História Não Contada sobre o Fechamento de Mozal
A fundição de alumínio Mozal Aluminium, considerada a maior unidade industrial de Moçambique, poderá suspender as suas operações a partir de 15 de março de 2026 devido à ausência de um novo acordo para fornecimento de eletricidade em condições economicamente viáveis.
De acordo com informações recentes, a empresa poderá entrar em regime de “care and maintenance”, um processo em que a fábrica interrompe a produção mas mantém as instalações sob manutenção mínima para preservar os equipamentos.
Energia no centro do problema
A principal razão para esta possível suspensão está ligada ao elevado consumo de energia necessário para produzir alumínio. A Mozal precisa de cerca de 950 megawatts de eletricidade contínua, o que torna o custo energético um dos fatores mais determinantes para a viabilidade da produção.
Historicamente, grande parte dessa energia tem origem na Hidroeléctrica de Cahora Bassa, localizada no rio Zambeze. Quando essa fonte não é suficiente, o fornecimento é complementado através da rede da empresa sul-africana Eskom.
Contudo, o contrato atual de fornecimento de energia termina em março de 2026 e, apesar de anos de negociações, ainda não foi alcançado um entendimento entre o Governo moçambicano, os fornecedores de energia e a empresa proprietária da fundição, a multinacional South32.
Negociações prolongadas
Segundo a South32, as conversações sobre novos preços e condições de fornecimento de energia decorrem há cerca de seis anos, mas as partes não conseguiram chegar a um consenso.
Enquanto o Governo defende que o preço proposto pela empresa não cobre os custos de produção de energia, a companhia afirma que as condições apresentadas tornam a operação economicamente inviável.
Impacto económico significativo
Caso a suspensão se confirme, o impacto poderá ser profundo para a economia nacional. Estima-se que entre 4.000 e 5.000 empregos diretos estejam ligados à Mozal, além de milhares de postos de trabalho indiretos em empresas que dependem da sua atividade.
A fundição representa ainda cerca de 3% a 4% do Produto Interno Bruto (PIB) de Moçambique e constitui uma das maiores fontes de exportação industrial do país.
Especialistas alertam que uma paralisação prolongada poderá afetar não apenas o setor industrial, mas também as receitas fiscais e a dinâmica económica associada à cadeia de fornecimento.
Futuro incerto
O futuro da Mozal depende agora de possíveis negociações de última hora entre o Governo, fornecedores de energia e a South32. Sem um acordo considerado sustentável para todas as partes, a suspensão das operações poderá tornar-se inevitável.

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