Dívida pública dispara e Banco de Moçambique alerta para pressão no mercado financeiro
O Banco de Moçambique voltou a manifestar preocupação com o crescimento contínuo do endividamento público interno, apontando efeitos negativos no funcionamento do mercado financeiro nacional. Dados divulgados pela instituição indicam que, em dezembro de 2025, a dívida interna do Estado excluindo contratos de mútuo e leasing alcançou cerca de 485 mil milhões de meticais, registando um acréscimo de 11,1 mil milhões em comparação com o mesmo período do ano anterior.
Segundo o Banco Central, o aumento das obrigações do Estado tem reduzido o interesse dos investidores por títulos públicos e contribuído para a rigidez das taxas de juro no mercado interbancário. A situação é agravada pelos atrasos nos pagamentos, o que compromete a liquidez e a confiança no sistema financeiro.
Além das pressões fiscais, o Comité de Política Monetária destaca ainda os impactos das recentes cheias que afectaram várias regiões do país. As inundações prejudicaram infraestruturas, interromperam cadeias de abastecimento e dificultaram a reposição da produção, factores que representam riscos adicionais para a estabilidade económica. A estes desafios somam-se as tensões geopolíticas externas, que podem influenciar os preços de bens essenciais e combustíveis.
Perante este cenário, a autoridade monetária decidiu reduzir a taxa de juro de política monetária (MIMO) de 9,50% para 9,25%, justificando a medida com a manutenção da inflação em níveis moderados. No fecho de 2025, a inflação situou-se em 3,2%, permanecendo em um dígito.
Ainda assim, o Banco de Moçambique sinaliza que o ciclo de cortes nas taxas poderá estar a aproximar-se do fim, uma vez que as próximas decisões dependerão da evolução dos riscos económicos internos e externos.
A próxima sessão do Comité de Política Monetária está agendada para 30 de março de 2026, data em que serão reavaliadas as condições económicas do país.

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